vendredi, juillet 18, 2008

Em ritmo tropical.

Texto de Branca Maria de Paula

Retirado do livro: Fundo Infinito – contos eróticos, pgs. 21 a 23.

(...)

De olho fechado, mandou eu fechar a porta, falando meio engasgado e rouco, quer dizer que o pé contou tudo pra ele. Eu achei que não devia por causa das crianças, mas tranquei assim mesmo, um minutinho só. Depois estavam distraídos vendo o Mundo Animal, quer dizer, eu tinha visto uns esquilos brincando quando passei na sala, não sabia se ainda estavam a fim daquilo. Podia ser que estivessem vendo agora a TV educativa e iam ficar muito instruídos.

O Tomás ficou olhando eu tirar a saia, com olhar de mormaço. De repente estava nu, pronto, e eu ainda tirando o sutiã. Ele deitado, de barriga pra cima, pelado me esperando cair igual patinha tonta. A gente tá tão acostumado que não dá trabalho foi só passar uma perna por cima, a outra no chão, sentar devagar e começar a mexer devagar, senão acabava logo e era uma pena, eu achava uma pena ficar pra trás. As coisas estavam encaixadas, dava pra espantar como sabiam o caminho, ninguém tinha ensinado. Quer dizer, no princípio o Tomás teve de ensinar, que é o mais comum.

Ele botou uma mão na minha bunda e apertava e de vez em quando também beliscava meu peito, a outra mão lá embaixo.

Fiquei indócil e esqueci a comida no fogão. Aí o telefone começou a tocar, levei um susto e quis sair, mas o Tomás segurou firme e falou agora não dá, espera só mais um pouquinho, meu amor, tem coragem de me largar assim?

Não tive mesmo, mas andei rapidinho, rapidinho, não queria deixar ele na mão e pra mim não ia mesmo dar, porque o Marcelinho estava esmurrando a porta e gritando TELEFONE, MÃE! Na maior altura e eu respondi desta alturinha, achando que ia sair um grito daqueles de estremecer a vizinhança. (...)

Peguei uma calcinha limpa, não tinha a mínima idéia onde estava a outra, e não tinha nem tempo de procurar. O Tomas comeu muito tranqüilo, sem camisa, eu não conseguia tirar o olho dos cabelos do peito dele, o maior tesão, servindo os meninos e pensando depois eu te pego, cê vai ter de se virar. (...)

O Tomás estava dormindo atravessado na cama, de cueca cor de areia que dei pra ele no Natal, e ele gostou tanto que só usava ela, se eu deixasse. Dormindo de bruços com as pernas jogadas pro lado, as coxas roliças separadas, metade do braço debaixo do travesseiro e uma mão debaixo da barriga, segurando, uma cor bonita de sol nas costas, e a marca do calção direitinho onde os pêlos aumentam e escurecem a pele, a boca entreaberta ressonando, tão indefeso.

Fechei a porta com cuidado e fui, pé ante pé.

jeudi, juin 12, 2008

Ata-me.

É fácil gostar de um homem que beija bem. É fácil se apaixonar por um homem que trepa bem. É fácil querer casar com um homem que chupa muito bem. Há diversas razões pelas quais as pessoas se relacionam e todas elas envolvem sexo, reprimido ou não. Os dias andavam cansativos, a rotina lamuriante e foi num belo intervalo que ele aproveitou e me tomou para si. As mãos firmes junto com palavras decididas me conduziram para amarrações, algemas, chicotes, couro, cicatrizes de vela quente, tapas na bunda, mordidas no clitóris, sangue nos lábios e novas formas de amar.

A primeira vez que te amarram completamente é extremamente excitante, principalmente quando você não sabe quantas pessoas estão na sala. Ser a vítima é muito melhor nesses casos. Quando me conheceu, nossa primeira frase a sós foi: “Aposto que você adora dar o rabo”. Um clichê, é claro. Há milhares de mulheres que adoram. Mesmo quando não estávamos sozinhos era ele quem vinha primeiro, sussurrando francês em meu ouvido, escorregando por entre minhas pernas, me fazendo gritar e gargalhar ao mesmo tempo, sentindo meu corpo eletrificar. Tinha ciúmes, gostava de medir forças, de mordidas nos pulsos e de que lhe amarrasse os pés. É fácil entender porque as pessoas se assustam com certas práticas sexuais, porém, não éramos sádicos no amor, apenas na cama. A dor e o sexo se entrelaçavam nas puxadas de cabelo, no modo como ele desconfiava dos meus olhares, nos arranhões, na maneira como gostava de se esfregar em minha pele e nos 25 anos que nos separavam cronologicamente. Fui eu quem quis ser dividida com outros e, apesar de adorar os momentos, sempre deixou claro que eu tinha que gozar com ele dentro de mim.

Para quem observava esse casal tão singular, essa era uma relação fadada ao fracasso, pois desde cedo entendi como poderia me divertir. Fizemos um acordo cheio de trocas, casamos por uns três meses, experimentamos todas as posições em que ele poderia ver seu pau entrando e saindo de mim. Estávamos juntos por conta das minhas carências e curiosidades, os amigos dele viviam avisando do meu desejo carnívoro por jovens rapazes virgens. Mal sabiam que ele me dominava logo de manhã cedo. Levantava, molhava as mãos na água gelada e percorria meu corpo morno de sono com calafrios e espasmos. Nunca ouviu qualquer coisa que eu tenha dito nessas horas. Mordiscava os seios e por mais que eu tentasse fechar as pernas, os dedos já abriam espaço impetuosamente. Descia com a língua, batia a ponta no clitóris e chupava, com força, sugando qualquer resistência que eu ainda possuísse. Chupava, lambia, enfiava dedos e língua de uma maneira tão esfomeada e suculenta que era impossível não querer ficar com ele para sempre. E ele achava mesmo que ficaria comigo para sempre, só não esperava que sua filha fosse morar conosco.