Texto de Branca Maria de Paula
Retirado do livro: Fundo Infinito – contos eróticos, pgs.
(...)
De olho fechado, mandou eu fechar a porta, falando meio engasgado e rouco, quer dizer que o pé contou tudo pra ele. Eu achei que não devia por causa das crianças, mas tranquei assim mesmo, um minutinho só. Depois estavam distraídos vendo o Mundo Animal, quer dizer, eu tinha visto uns esquilos brincando quando passei na sala, não sabia se ainda estavam a fim daquilo. Podia ser que estivessem vendo agora a TV educativa e iam ficar muito instruídos.
O Tomás ficou olhando eu tirar a saia, com olhar de mormaço. De repente estava nu, pronto, e eu ainda tirando o sutiã. Ele deitado, de barriga pra cima, pelado me esperando cair igual patinha tonta. A gente tá tão acostumado que não dá trabalho foi só passar uma perna por cima, a outra no chão, sentar devagar e começar a mexer devagar, senão acabava logo e era uma pena, eu achava uma pena ficar pra trás. As coisas estavam encaixadas, dava pra espantar como sabiam o caminho, ninguém tinha ensinado. Quer dizer, no princípio o Tomás teve de ensinar, que é o mais comum.
Ele botou uma mão na minha bunda e apertava e de vez em quando também beliscava meu peito, a outra mão lá embaixo.
Fiquei indócil e esqueci a comida no fogão. Aí o telefone começou a tocar, levei um susto e quis sair, mas o Tomás segurou firme e falou agora não dá, espera só mais um pouquinho, meu amor, tem coragem de me largar assim?
Não tive mesmo, mas andei rapidinho, rapidinho, não queria deixar ele na mão e pra mim não ia mesmo dar, porque o Marcelinho estava esmurrando a porta e gritando TELEFONE, MÃE! Na maior altura e eu respondi desta alturinha, achando que ia sair um grito daqueles de estremecer a vizinhança. (...)
Peguei uma calcinha limpa, não tinha a mínima idéia onde estava a outra, e não tinha nem tempo de procurar. O Tomas comeu muito tranqüilo, sem camisa, eu não conseguia tirar o olho dos cabelos do peito dele, o maior tesão, servindo os meninos e pensando depois eu te pego, cê vai ter de se virar. (...)
O Tomás estava dormindo atravessado na cama, de cueca cor de areia que dei pra ele no Natal, e ele gostou tanto que só usava ela, se eu deixasse. Dormindo de bruços com as pernas jogadas pro lado, as coxas roliças separadas, metade do braço debaixo do travesseiro e uma mão debaixo da barriga, segurando, uma cor bonita de sol nas costas, e a marca do calção direitinho onde os pêlos aumentam e escurecem a pele, a boca entreaberta ressonando, tão indefeso.
Fechei a porta com cuidado e fui, pé ante pé.